Notas etnográficas sobre a prática do karatê no Cariri Oeste do Ceará: afirmação e estranhamento do ethos guerreiro
DOI:
https://doi.org/10.18002/rama.v21i1.2606Palavras-chave:
Artes marciais, desportos de combate, karatê, cultura, etnografia, ethosEntidades:
This research received no funding sources, nor the author received funding for this work.Resumo
Este artigo objetiva compreender as construções de signos e de disposições socioculturais decorrentes das relações estabelecidas em um grupo de karatê na região do Cariri Oeste do estado do Ceará, Brasil. Mais especificamente, visa apresentar as dissonâncias e afirmações da ideia de ethos guerreiro. Norteada pelo método etnográfico, a pesquisa imprimiu observações participantes e anotações em diários de campo no período de junho de 2023 a maio de 2024. Participaram do estudo dez homens e quatro mulheres. O pesquisador responsável pela inserção no campo participou, nesse contexto, de treinamentos e competições de karatê, além de estabelecer uma relação mais próxima com o grupo investigado, a fim de se situar como um dos “de dentro”. Foram observadas distintas formas de apropriação, interpretação e decodificação dos signos do karatê, nas quais o ethos dessa prática possui formas peculiares de operar, partindo de uma concepção individual à coletiva. Dessa forma, a negociação desse ethos opera em um campo de tensão configuracional, em que posições hierárquicas, trajetórias pessoais e o contexto cultural regional filtram e remodelam os códigos marciais.
Downloads
Métricas alternativas
Referências
Angrosino, M. V. (2009). Etnografia e observação participante. Artmed.
Barreira, C. R. A. (2013). O sentido do karate-do: Faces históricas, psicológicas e fenomenológicas. Fontoura.
Albuquerque Júnior, D. M. (2011). A invenção do Nordeste e outras artes. Cortez.
Barrett, S. (2015). Antropologia: guia do estudante à teoria e ao método antropológico. Vozes.
Barth, F. (1998). Grupos étnicos e suas fronteiras. In P. Poutignat & J. Streiff-Fenart (Eds.), Teorias da etnicidade (pp. 185–227). Fundação Editora da UNESP.
Cynarski, W. J. (2019). General canon of the philosophy of karate and taekwondo. Ido Movement for Culture. Journal of Martial Arts Anthropology, 19(3), 24–32. https://doi.org/10.14589/ido.19.3.3
Cynarski, W. J., & Johnson, J. A. (2023). The amalgamation of eastern and western philosophies within Idokan Karate. Revista de artes marciales asiáticas, 18(2), 66-79. https://doi.org/10.18002/rama.v18i2.6201
Dwyer, S. C., & Buckle, J. L. (2022). Cultural insider-outsider: Reflecting on positionality in shared and differing identities. In Dwyer, S. C., & Bucle, J. L (Eds.), Handbook of qualitative cross-cultural research methods (pp. 85–99). Edward Elgar Publishing. https://doi.org/10.4337/9781800376625.00014
Dziubiński, Z. (2020). Martial arts ethos from an axio-normative perspective. Ido Movement for Culture. Journal of Martial Arts Anthropology, 20(4), 47–54. https://doi.org/10.14589/ido.20.4.7
Elias, N. (1994). O processo civilizador: uma história dos costumes. Jorge Zahar.
Elias, N. (1997). Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Jorge Zahar.
Elias, N., & Scotson, J. L. (2000). Os estabelecidos e os outsiders: Sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Jorge Zahar.
Elias, N. (2022). Processos de excitação: Trabalhos não publicados de Norbert Elias sobre esporte, lazer, corpo e cultura. Editora UEPG.
Frosi, T. O., & Mazo, J. Z. (2011). Repensando a história do karatê contada no Brasil. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 25, 297–312. https://doi.org/10.1590/S1807-55092011000200011
Gadamer, H. G. (1995). Hermeneutik im Rückblick. Tübingen: Mohr Siebeck.
Geertz, C. (1978). A interpretação das culturas. Zahar Editores.
Hobsbawm, E., & Ranger, T. (2018). A invenção das tradições (12a ed.). Paz e Terra.
Islas, D. S. C., & Jennings, G. (2023). A Typology of Martial arts scholar–practitioners: Types, transitions, and tensions in capoeira. Societies, 13(10), 214. https://doi.org/10.3390/soc13100214
Jakhel, R. (2019). Karate’s ambiguity: Traditional martial art or modern combat sport. Revista de Artes Marciales Asiáticas, 14(2s), 68–70. https://doi.org/10.18002/rama.v14i2s.6000
Keesing, R. M., & Strathern, A. J. (2014). Antropologia cultural: uma perspectiva contemporânea. Vozes.
Lago Filho, P. A. P., Lima, G. A., Ferreira, H. S., & Neto, Á. R. M. (2024). História do karatê no sertão da região Nordeste do Brasil: memória dos mestres do Vale do São Francisco. Revista Mosaico, 15(Especial), 51–64. https://doi.org/10.21727/rm.v15iEspecial.4581
Lima, G. A., Vasques, D. G., & Mariante Neto, F. P. (2023). Dambe como prática corporal de luta africana: um estado da arte de artigos científicos. Identidade!, 28(2), 52–75. https://doi.org/10.22351/id.v28i2.2882
Lima, G. A., Rufino, L. G. B., Turelli, F., & Millen Neto, A. R. (2025a). “Estamos no treino, mas não podemos nos descuidar”: um estudo etnográfico sobre as relações de gênero no karatê. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 47, e20240126. https://doi.org/10.1590/rbce.47.e20240126
Lima, G.A., Mariante Neto, F. P., Vasques, D. G., & Millen Neto, A. R. (2025b). Estabelecido ou outsider? Notas autoetnográficas sobre a inclusão de um praticante iniciante em uma academia de karatê na região do Cariri Oeste do estado do Ceará, Brasil. Ágora para la Educación Física y el Deporte, 27, 108–132. https://doi.org/10.24197/71kzs128
Lima, G. A., Vasques, D. G., Mariante Neto, F. P., & Millen, A. R. (2024). O karatê entre espontaneidade e autoconsciência: reflexões configuracionais a partir de uma etnografia na região do Cariri cearense. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 46, e20240096. https://doi.org/10.1590/rbce.46.20240096
Lima, G. A., Caldas, F. D. L., & Millen Neto, A. R. (2024). Lutas, artes marciais e esportes de combate sob o olhar etnográfico. Cuerpo, Cultura y Movimiento, 14(2), 59-75. https://doi.org/10.15332/2422474X.10202
Lima, G. A., Vasques, D. G., & Mariante Neto, F. P. (2023). Análise da produção acadêmica brasileira sobre o cangaço: reflexões à luz da sociologia figuracional de Norbert Elias. Revista Mosaico, 14(3), 76-87. https://doi.org/10.21727/rm.v14i3.3935
Merton, R. K. (2002). Teoria socjologiczna i struktura społeczna (E. Morawska & J. Wertenstein-Żuławski, Trans.). Wydawnictwo Naukowe PWN.
Oliveira, M. A., Saura, S. C., & Zimmermann, A. C. (2025). Karate’s tradition: The perception of masters and students. Ido Movement for Culture Journal of Martial Arts Anthropology, 25(2), 91–104. https://doi.org/10.14589/ido.25.2.9
Rufino, L. G. B. (2012). A pedagogia das lutas: caminhos e possibilidades. Paco Editorial.
Sánchez-García, R. (2018). An introduction to the historical sociology of Japanese martial arts. Martial Arts Studies, 6, 75–88. https://doi.org/10.18573/mas.64
Wacquant, L. (2002). Corpo e alma: Notas etnográficas de um aprendiz de boxe. Relume Dumará.
Yip, S. Y. (2024). Positionality and reflexivity: negotiating insider-outsider positions within and across cultures. International Journal of Research & Method in Education, 47(3), 222-232. https://doi.org/10.1080/1743727X.2023.2266375
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 George Almeida Lima, Antônio Jorge Gonçalves Soares, Alvaro Rego Millen Neto

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0.
Os autores que publicam nesta Revista estão de acordo com os seguintes termos:
- Os autores cedem, de forma exclusiva, os direitos de exploração (reprodução, distribuição, comunicação pública, transformação) à Universidade de Léon, podendo estabelecer, em separado, acordos adicionais para a distribuição não exclusiva da versão do artigo publicado na Revista (por exemplo: alojar no repertório institucional ou publicá-lo num livro), com o reconhecimento da publicação inicial nesta Revista.
- O trabalho encontra-se na Creative Commons Attribution-Non Commercial-Share Alike 4.0 International License. Pode-se consultar aqui o resumo e o texto legal da licença.
- Permite-se, e sugere-se, que os autores difundam electronicamente as versões pré-impressão (versão antes de ser avaliada) e pós-impressão (versão avaliada e aceite para publicação das suas obras antes da sua publicação), favorecendo a sua circulação e difusão, e com ela o possível aumento da sua citação e alcance pela comunidade académica.



